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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A mulher e o poder - Lya Luft

Escrever sobre homens e poder seria de um óbvio ululante. O poder transforma, e nem sempre para melhor. É preciso saber lidar com ele, para que não nos deforme. A pergunta sobre como as mulheres exercem cargos de mando tem várias respostas, e eu já fiz o teste: desde “estão maravilhosas”, “estão poderosas”, até “andam muito loucas, mandonas demais”. Mulheres são gente: seres humanos, complexos e desvalidos como todos. A vida é que andou se complicando muito desde que mulheres (tão poucas, ainda!) começaram a assumir algum poder. A velocidade com que as mudanças sociais acontecem hoje é perturbadora e, embora nossos avós também dissessem “Nossa! Como este ano passou rápido!”, hoje nossa vida se transforma em mera correria se a gente não cuidar. Tudo é agora, tudo é imediato, e tudo é aqui e rapidinho. Gaza e Washington acontecem no nosso café-da-manhã.
A mulher e o trabalhoCom o poder acontece o mesmo que ocorre com o tempo: ou o transformamos em nosso bicho de estimação ou ele nos devora. O bicho de estimação a gente aceita, brinca com ele, gosta dele, adapta-se a ele em certas coisas, nem o ignora nem o bota fora. Mas, se o maltratamos, se o detestamos, ele cresce, vira uma fera e nos come. Já que mulheres no poder são quase uma novidade, é sobre isso que me interessa refletir aqui. Não faz tanto tempo que começamos a assumir funções de ministra, prefeita, governadora, cientista, motorista de táxi e ônibus, reitora, e tantas outras. Não fôramos preparadas para enfrentar esse amigo/inimigo, o poder. Sendo pioneiras, e sem modelos a seguir, a quem deveríamos recorrer, em quem nos inspirar à frente do país, do ministério, dos empregados da estância, dos colegas lidando com grandes máquinas agrícolas ou à frente de sindicatos? Restava-nos a imagem dos homens.
Algumas pensaram em igualar-se a eles, com jeitos e trejeitos de capataz furioso ou comandante carrancudo, isto é, virando a caricatura de homens poderosos. Pior que eles, por estarem inseguras, sendo prepotentes. Outras tentaram disfarçar esse poder com exageros de sedução: muitas foram educadas para agradar, não para mandar, e o espectro da mulher sozinha existe. De um homem sozinho, dizem que está “aproveitando a vida”, mas da mulher sozinha eventualmente se comenta: “Coitada, ninguém a quis”. E não adianta reclamar: essa ainda é uma realidade burra, um preconceito idiota, mas não falecido. Com todo esse dilema, corre-se em busca de um “jeito feminino de exercer o poder”. Isso existe? Tem de ser buscado? E o que será, afinal: um jeito o madelicado, doce ou cor-de-rosa? Que os deuses nos livrem disso. Talvez seja apenas um jeito humano, pois é o que todos somos: cheios de fragilidade e força, de qualidades e defeitos, todos em última análise com medo de não ser atendidos. Um professor iniciante tinha tanto pavor de não ser respeitado pelos alunos que abusava de punições, notas baixas, gritos e até socos na mesa, que provocavam, estes sim, riso nos adolescentes.
O mais positivo pode ser as mulheres, sobre as quais aqui especialmente escrevo, tentarem ser naturais. Nem ir ao posto de comando vestidas de freira ou militar, cheias de convencionalismos, ar gélido e voz de metal, nem sedutoras por medo de perder a feminilidade (seja lá o que pensam que isso é). Ser apenas uma pessoa a quem o poder foi dado pela sorte, pelo destino, pelo mérito (o melhor de todos), por algum concurso, enfim, pelos caminhos da profissão, e tentar fazer isso da melhor forma possível. Para exercer o poder não é preciso nem beleza nem feiura, nem coisa alguma além de preparo e capacidade, humanidade, ética, honradez, informação, entendimento do outro, respeito pelo outro para que ele também nos respeite. Para homens e mulheres o comando é difícil, é solitário. E, acreditem, exige cuidado: porque, se pode ajudar, pode também contaminar. Nada melhor do que agir com simplicidade, lucidez e alguma bem-humorada autocrítica, em qualquer posto e em qualquer circunstância desta nossa vida.

domingo, 8 de março de 2009

Dia 08 de março – Dia Internacional da Mulher

Falar de mulheres é um como tivessemos em mãos um dicionário onde está escrito apenas belas palavras e adjetivos, se referindo a uma personalidade que jamais deixa de contemplar os nossos olhares e a nossa vida.

Desde o nosso nascimento, ela estava lá. A mulher Mãe, a mulher maravilha, que nos acompanha até o fim de nossa liberdade ingênua, quando ficamos rebelde em nossa adolescência, e quando encontramos outra mulher com quem vamos dividir a nossa vida na nossa fase adulta. Ela não perde lugar em nossas vidas, apenas torna-se a ser a mulhermaeamiga.Talvez seria essa palavra que a pudessemos definir.

Surge na história uma segunda mulher – pode ser sua irmã ou prima. Com ela você começa a descobrir o cartao_mulhermundo, atráves de um relacionamento familiar, aprende a construir novas amizades, criar vínculos que pernameceram para o resto de nossas vidas.

Nesse ponto da história, surge a terceira mulher – a nossa primeira namorada. Foi com ela que você teve o privilégio de realizar o primeiro beijo, ou beijar alguém em uma fase de descobertas. Na verdade, existiram diversas mulheres-meninas que se encaixam na terceira mulher.

Surge a quarta mulher – a nossa primeira professora. Com idade aproximadamente entre oito e dez anos, essa mulher é aquela que te proteje, te encoraja, lhe determina poderes, lhe aconselha, te ensina o caminho das letras.

Ao chegar ao período de conflitos, a adolescência encontramos agora na verdade, jovens mulheres – seja do colegial, da balada, do escritório, da fármacia, da esquina, da igreja, da amiga da vizinha entre outras.

E é nessa aventura pelas mulheres surge a nossafutura companheira, a mulher ideal com quema juntos vai dividir a nossa história. Na verdade acontece um divisor de tempos. Deixamos de lado a aventura e caímos em busca de algo definitivo, concreto. Já maduros, temos capacidade definir o que queremos e como queremos. Assim, vem a ser um passo a mais. Temos ao nosso lado a mulher com quem vamos planejar nosso futuro, mulher que está junto com você para todos os momentos, para todas as dificuldades, mulher para um relacionamento duradouro, mulher para curtir, mulher de um homem só.

São elas que embelezam as nossas vitrines do dia-a-dia. São elas que tornam o dia ensoralado em um lindo dia de sol. São elas que estão dispostas a renunciar uma vida em prol de outras vidas. Agora é que são elas, mulheres de fibra , de coragem, de exemplo de honestidade, de garra , determinação.

Mulheres que marcam e que ficam para sempre. Seja na memória ou no coração.